"É importante chamar a atenção das instituições financeiras para a sua responsabilidade social e para que sejam até um pouco mais sóbrias nas suas práticas", disse o ministro das Finanças.
O ministro das Finanças considera que não há razões para rectificar o Orçamento de Estado, apesar de defender que o Estado "não pode ser avarento" na resposta às questões sociais.
"Não estou a ver necessidade de rectificação, temos vindo a gastar os dinheiros dentro das margens permitidas pelo Orçamento, não atingimos qualquer situação de descontrolo de gasto público que suscitasse qualquer rectificação dessa natureza", afirmou.
Teixeira dos Santos falava em Coimbra, após uma cerimónia de entrega de 16 viaturas a outras tantas instituições de solidariedade social, pela Fundação Montepio Geral.
Embora as Finanças Públicas, neste momento, se "ressintam pelo lado da receita, por causa da evolução da economia, no que se refere à despesa, por enquanto, estão a evoluir dentro do quadro orçamental definido no Orçamento para 2009", acrescentou Teixeira dos Santos.
Ao considerar o desemprego "o problema mais sério que o país enfrenta" actualmente, o ministro de Estado e das Finanças justificou os apoios sociais e falou da responsabilidade social que "cabe a todos", nomeadamente às instituições financeiras.
"Nas áreas que têm a ver com o desemprego, com os apoios sociais, aí nós não podemos ser, de facto, avarentos na forma como os dinheiros públicos devem ser utilizados", disse.
Sem deixar de responsabilizar o sistema financeiro pelo desencadear da crise, Teixeira dos Santos disse que "agora, é importante chamar a atenção das instituições financeiras para a sua responsabilidade social e para que sejam até um pouco mais sóbrias nas suas práticas".
"Os problemas sociais, o desemprego, estão cá dentro e é sobre estes problemas que temos que nos concentrar e focar de forma muito particular", frisou o ministro, ao considerar que o impulso à actividade económica em Portugal "terá de vir de fora, como a recuperação da actividade da economia mundial e da economia europeia".
No momento particular que o país atravessa, a "responsabilidade social que se coloca às empresas, aos bancos, aos responsáveis políticos e a cada um de nós" assume particular importância, referiu.
"Se não conseguirmos todos estar à altura desta responsabilidade, será bem mais difícil enfrentar a crise", alertou.
Teixeira dos Santos aproveitou para valorizar a iniciativa da Fundação Montepio Geral, "um exemplo que - na sua opinião - deve ser adoptado por todas as instituições com responsabilidade social".
As 16 viaturas adaptadas a pessoas com necessidade especiais, hoje entregues a instituições particulares de solidariedade social, fazem parte de uma "Frota Solidária", adquirida com os valores entregues à Fundação Montepio Geral pelos contribuintes, em 2006, no âmbito da Lei da Liberdade Religiosa.
AMS
Lusa/fim