O presidente do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), João Pedro Barros, considera que o sistema educativo português se encontra "completamente podre" e tem estado a "degradar uma série sucessiva de gerações". João Pedro Barros deixará a presidência do IPV após as eleições de próximo dia 11 e, num encontro de despedida com a comunicação social, considerou que "este sistema educativo não vai longe".
"O sistema educativo em Portugal está mal desde o Veiga Simão (então ministro da Educação Nacional) para a frente. Desde 1973 que se anda a rechapar o sistema educativo", lamentou o dirigente, que ao longo da sua carreira de mais de 40 anos ao serviço da educação passou do ensino primário ao superior.
O ainda presidente do IPV lembrou palavras do antigo ministro, para quem bastava "uma criança para justificar uma escola".
"A filosofia agora é que nem 20 chegam para justificar uma escola", criticou, defendendo que o sistema educativo "deve permitir que haja uma evolução ordenada, concatenada, para que as crianças adquiram ao longo da vida as normas, os valores e os princípios que não têm".
Na sua opinião, o "podre" do sistema começa também a chegar ao ensino superior "quando se fala de novas oportunidades e se dão licenciaturas a pessoas que têm a quarta classe".
Assim, "este país não vai longe", considerou João Pedro Barros, que, além da presidência do IPV, foi deputado e governador civil de Viseu.
João Pedro Barros lamentou que Viseu não tenha conseguido algumas conquistas importantes, como a universidade pública.
"Foi sempre assim, parece que toda a gente olha para Viseu como sendo matarruanos e descendentes do Viriato naquilo que é de mais negativo. Tudo o que seria de bom para esta Região Centro tem-lhe sido muitas vezes negado, pese embora o trabalho que é desenvolvido por muita gente, como autarcas e outras entidades", referiu.
Criticou a "visão canhestra" de quem governa a nível nacional de pensar que "Viseu já tem muita coisa" e o impediu, nomeadamente, de construir a quarta residência universitária do IPV e uma escola pré-primária para os filhos dos funcionários e dos alunos.
Apesar de tudo, João Pedro Barros disse continuar a acreditar no IPV, desde que "o futuro presidente, seja ele qual for, tenha dimensão científica que possa dar a visibilidade a que instituto, a cidade e região têm direito".
Dia 11, concorrem à presidência do IPV Fernando Sebastião, que nas últimas eleições foi derrotado por João Pedro Barros, e Daniel da Silva, vice-presidente do instituto desde Janeiro de 2005.