O bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, criticou ontem à noite, durante uma entrevista à SIC Notícias, o facto do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, ter mandado o Ministério Público investigar o caso da professora brutalizada por uma aluna, na escola Carolina Michaelis, após lhe ter retirado um telemóvel durante a sua aula.
"Estou espantado ao ouvir o actual Procurador-Geral da República dizer que mandou investigar a agressão da professora. Alguém fez queixa ao Ministério Público? É com o direito criminal que se vai combater a cena da aluna no Carolina Michaelis. O direito criminal deve ser utilizado para a grande criminalidade, e para a pequena também, mas com moderação. O Ministério Público devia investigar a verdadeira criminalidade e apresentar resultados", disse.
Falando ao programa "Dia D", Marinho Pinto mostrou-se espantado e disse não compreender a intervenção do Procurador, criticando também o facto da investigação criminal estar demasiado preocupada com a imagem mediática. "A Polícia Judiciária mal deita a mão a uma quantidade de droga, se for umas toneladas, são umas toneladas, se for uns quilos são umas centenas de milhares de doses, e vai logo chamar os jornais, com o distintivo, tudo para as fotografias e câmaras de televisão em vez de perseguir as pistas".
Na mesma entrevista, o bastonário criticou também o negócio da venda de cursos de direito, afirmando que a Ordem dos Advogados ganha dinheiro com a massificação da formação de Advogados.Marinho Pinto falou da existência de "conspirações e ataques pessoais" dentro da Ordem para impedir medidas contra esta "massificação".
"A Ordem foi criada para defender a advocacia", defendeu, acusando ainda, sem mencionar nomes, as Faculdades de "vender cursos" e "estruturas" de advocacia de "viverem só da formação".
O bastonário referiu que em Portugal existem "mais do dobro dos advogados para satisfazer as necessidades".
"Quero fazer mudanças, quero ver se as consigo fazer...", declarou, manifestando o desejo de criar uma "rede de patronos" que apoie os estagiários.
A seu ver, a estrutura profissional tem criado resistências à alteração desta situação e continua preocupada em "dar formação escolástica" em vez de "prática". Para o bastonário, a formação deveria apoiar-se em "simulações" de casos e no "patrono tradicional", este último com "dois ou três estagiários" no máximo a seu cargo e não com "um séquito de 20".