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A administração

1º SEMESTRE 2008

Caso da escola Carolina Michaelis

Bastonário contra queixa do Procurador

Marinho Pinto criticou o Procurador-Geral da República por ter mandado investigar o caso da professora brutalizada por aluna em vez de se virar para a criminalidade grave.

Alexandre Costa
0:47 | Quarta-feira, 26 de Mar de 2008
 
              
 
Bastonário contra queixa do Procurador Marinho Pinto diz que não se trata de um caso de direito criminal
António Pedro Ferreira
Marinho Pinto diz que não se trata de um caso de direito criminal

O bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, criticou ontem à noite, durante uma entrevista à SIC Notícias, o facto do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, ter mandado o Ministério Público investigar o caso da professora brutalizada por uma aluna, na escola Carolina Michaelis, após lhe ter retirado um telemóvel durante a sua aula.

"Estou espantado ao ouvir o actual Procurador-Geral da República dizer que mandou investigar a agressão da professora. Alguém fez queixa ao Ministério Público? É com o direito criminal que se vai combater a cena da aluna no Carolina Michaelis. O direito criminal deve ser utilizado para a grande criminalidade, e para a pequena também, mas com moderação. O Ministério Público devia investigar a verdadeira criminalidade e apresentar resultados", disse.

Falando ao programa "Dia D", Marinho Pinto mostrou-se espantado e disse não compreender a intervenção do Procurador, criticando também o facto da investigação criminal estar demasiado preocupada com a imagem mediática. "A Polícia Judiciária mal deita a mão a uma quantidade de droga, se for umas toneladas, são umas toneladas, se for uns quilos são umas centenas de milhares de doses, e vai logo chamar os jornais, com o distintivo, tudo para as fotografias e câmaras de televisão em vez de perseguir as pistas".

Na mesma entrevista, o bastonário criticou também o negócio da venda de cursos de direito, afirmando que a Ordem dos Advogados ganha dinheiro com a massificação da formação de Advogados.Marinho Pinto falou da existência de "conspirações e ataques pessoais" dentro da Ordem para impedir medidas contra esta "massificação".

"A Ordem foi criada para defender a advocacia", defendeu, acusando ainda, sem mencionar nomes, as Faculdades de "vender cursos" e "estruturas" de advocacia de "viverem só da formação".

O bastonário referiu que em Portugal existem "mais do dobro dos advogados para satisfazer as necessidades".

"Quero fazer mudanças, quero ver se as consigo fazer...", declarou, manifestando o desejo de criar uma "rede de patronos" que apoie os estagiários.

A seu ver, a estrutura profissional tem criado resistências à alteração desta situação e continua preocupada em  "dar formação escolástica" em vez de "prática". Para o bastonário, a formação deveria apoiar-se em "simulações" de casos e no "patrono tradicional", este último com "dois ou três estagiários" no máximo a seu cargo e não com "um séquito de 20".

 

 



 
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